4 de mai. de 2011

Estava tão bela com aquele brinco de pena.
E aquela blusa se ajustando perfeitamente em seu corpo, combinando com seus olhos.
Seus olhos, minha cor favorita.
De cabelo preso.
Ah! Gosto tanto quando o deixa solto e põe atrás da orelha.
Assim, fica visível para mim, os seus brincos, que eu gosto tanto.
Sempre tão bela, mas estava tão bela naquele dia...

23 de abr. de 2011

“Na primeira noite eles se aproximam 
roubam uma flor 
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem : 
pisam as flores, 
matam nosso cão, 
e não dizemos nada.
Até que um dia
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa, 
rouba-nos a luz, e, 
conhecendo o nosso medo 
arranca-nos a voz da garganta.
E já não dizemos nada.”



29 de jan. de 2011


Ê ê ê epa, Oiá ô.
Grande mãe.
Ia ô.
Beleza preta.
No ventre do vento.
Dona do vento que desgrenha as brenhas
Dona do vento que despenteia os campos
Dona da minha cabeça
Amor de Xangô.
Duzentas e uma esposas
O seu amado domina.
Oiá é a favorita.
Um dia de guerra bastou
Para a sua glória.
Orixá que abraçou seu amor terra adentro.

Com o dedo tira a tripa do inimigo.
Oiá que cuida das crianças
Toma conta de mim.
Seu fogo queima como sol.
Ela dorme dançando.
Epa, Oiá ô.
Não me queime o sol de sua mão.
Ligeira mulher guerreira
Corre veloz o fogo de Oiá
Oiá veloz faz o que fizer.
Fêmea forte com passos de macho
Moradora de Irá
Grande guerreira
Enérgica se ergue à mira do marido.
Vendaval e brisa.
Força de orixá que está no alto.
Oiá que vem à vila envolta em fogo.
Rara Oiá, rumores de amores com Ogum.
Aquela que dorme na forja.

Oiá na cidade, Oiá na aldeia
Mulher suave como sol que se vai
Mulher revolta como o vendaval
Levanta e anda na chuva
Assim é a grande Oiá
Eparipá, Oiá ô, he-hê-hê
Firme no meio do vento
Firme no meio do fogo
Firme no meio do vendaval
Firme orixá
Que bate sem mover as mãos
Firme orixá
Que tomou o tambor para tocar
E com pouco rasgou o couro
Epa, vocês tragam mais um tambor
Firme orixá
Epa, ela dançou sob a árvore aiã
Eparipá, as folhas de aia caíram todas
Orixá que é só axé
Castiga sem ser castigada
Dona do vento da vida.

Aquela que luta nas alturas.
Que doma a dor da miséria
Que doma a dor do vazio
Que doma a dor da desonra
Que doma a dor da tristeza.
Mulher ativa, amor de Xangô
Bela na briga, altiva Oiá.
Mãe lúcida.
Fecha o caminho dos inimigos.
Deusa que fecha as veredas do perigo.

Egungum de pé no pilão.
O que é isso?
Oiá espanta o babalaô, que nem apanha o seu ifá.
Oiá, o tempo que fecha sem chuva
Fogo no corpo todo
Riscafaísca – fogo.
Oiá corpo todo de pedra.
Com Oiá eu sou.
Com axé de Oiá na cabeça.
Minha cabeça aceitou a sorte.
Esse orixá me carrega no colo.

Amor de Xangô
Êpa, senhora sem medo
De segredo de egum.
Ialodê
Espada na mão
Bela no batuque
Do tantã tambor.
Ventania que varre lares
Ventania que varre árvores
Não nos desarvore.
Epa Oiá, maravilha de Irá.
Quem não sabe que Oiá é mais que o marido?
Oiá é mais que o alarido de Xangô.



É vida demais nesse texto.

16 de dez. de 2010

O sofrimento...

"Era uma criatura bondosa e jovem, que se criou no estreito círculo de suas ocupações domésticas e do trabalho disciplinado. (...) até o dia em que encontrou alguém para o qual se viu irresistivelmente atraída por um sentimento desconhecido. Nele concentrou todas as suas esperanças, esquecendo o mundo ao seu redor, nada ouvindo, nada vendo e nada sentindo senão esse homem, só a ele desejando. Não corrompida pelas frivolidades de uma vaidade volúvel, seu desejo conhece apenas um objetivo; ela quer pertencer-lhe, encontrar numa união eterna toda a felicidade que lhe falta, e fruir todas as alegrias pelas quais sempre ansiou. Promessas repetidas que lhe asseguram a realização de seus sonhos, carícias ousadas que atiçam seus desejos, tudo isso envolveu completamente a sua alma; ela flutua num estado de aturdimento, numa antecipação de todas as alegrias futuras, seus nervos estão tensos ao máximo, finalmente ela estende os braços ao encontro do seu ideal - e o homem amado a abandona. Estarrecida, fora de si, ela se encontra diante de um abismo. Ao seu redor, a escuridão, nenhuma esperança, nenhum consolo, nenhum futuro, porque aquele a quem tinha devotado a vida a deixou. Ela não consegue ver o mundo que está a sua volta, tampouco aqueles que poderiam compensar a perda; sente-se sozinha, abandonada e então, cegamente, desesperada e com o coração angustiado, ela se precipita nas águas, a fim de nelas encontrar a morte e afogar todos os seus tormentos. "
 
(Os Sofrimentos do Jovem Werther - Goethe)

9 de nov. de 2010

Comecei a descobrir sobre índios...

Ontem (quando eu comecei, ainda era “hoje”) tive uma aula que pelo menos pra mim, foi mega interessante. Tivemos um vídeo sobre a base brasileira africana e um pouco sobre a atualidade dos índios, e essa que me pegou.

Ok, índios são muito discutidos hoje, e como lembrado, eles são tratados como invisíveis, inexistentes. O que faz sentido, porque quanto mais falamos deles, mais coisa aparece.
E surgiu o caso do Santuário dos Pajés, uma área aqui de Brasília, mais precisamente no final da Asa Norte (preciso ir lá) onde vivem desde a construção da cidade. Por não poderem naturalmente viver na cidade, foi-lhes dado o local. Local que hoje está entregue para o futuro Setor Noroeste, o bairro ecológico que retira os índios e põe os ricos. Incoerente, hum.
Incoerente como a nossa suposta democracia. Incoerente como o tratamento humanitário a eles.

Colocamos a culpa nos portugueses, que chegaram matando geral os povos que aqui viviam, mas continuamos “expulsando-os” de nossas terras para continuar com o progresso. Continuamos tratando como ninguém importante, nada mais que selvagens que acham que a terra tem voz.

Quem são os loucos fora da realidade?
Eles morrem de doenças naturais e nós de doenças criadas pelo nosso estilo de vida.
Como dizem por aí: “eu tenho medo”.

Primeiro

Sempre tem que ser um nada, o primeiro, hehe.